quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Sexta a Sabado


SEXTA A SÁBADO

'O que farás sexta à noite? Dançarás? Beberás? Ou mais do que nos importa?' - Perguntou, Sancho.

'Mais do que nos importa, óbvio' - Respondeu, Dom.

Os pubs estavam lotados. O som tomava as ruas. As bocas, transbordando viciados. O tráfico, ganhando os bares.

Sancho esqueceu-se da agenda. Bebeu, dançou e dormiu quando deveria ganhar o Sol. Dom, precavido, despertou cedo e adiantou o dia.

Dom deixou de se preocupar com coisas efêmeras. Por caminho distinto, mantém o próprio bar, e faz a própria rave, diariamente, no escritório.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Aos Tabuleiros


AOS TABULEIROS

Ouviu-se um grito: 'Prenda!'

Surgiram homens de saia. Os quais se julgaram 'kan' (não conheço) em algum momento da jornada por mais que trezentos dias. Sentiam-se acima dos outros pelo patrimônio material. Foram presos; Usados como mulheres, por duzentos anos.

Sua trama consistia em serem confundidos com o pai. A diferença é que pensavam em 'cu' na hora da bronha. Ofereciam na banda, como se fossem lojas, as mulheres que se rendiam ao giro. Estas procuravam na terra o que chamavam 'isto', enquanto esqueciam do céu ao serem ligadas telepaticamente na hora da 'punheta'.

Algumas destas moças se salvaram quando deixaram de servir aos próprios interesses por grana ou agenciamento. O que lhes foi reivindicado. Servindo, primeiramente, quem evitou escolher entre 'esquerda' e 'direita' Ao dispensarem o que chamavam 'kan' e 'isto' (com 'ss' em vez de 't'), ao escolher o que ocultamos à luz.

Esta história foi contada no Templo por mil anos.

JD'

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Invocados na hora do rola


CONTOS MÁGICOS

O casal vem ao motel. Querida e seu cumplice. A moça planejava fazer baixar a entidade de quem a procurasse na hora do rola. Para isto, engatilhou a conversa das midias sociais em seu smartphone. Utilizaria os espelhos para ligar quem quisesse espiar pela janela do céu. Uma forma de invocar quem a ligasse. Pensava em trabalhar, quem a procurasse, como seu cu. Algo errado aconteceu.

Ao deixar o motel, a moça se viu continuar no local, no espelho do quarto, aprisionada nas imagens que se alteram de hora em hora; Cliente a cliente. Ao ponto de esquecer-se nas luas do imaginário.

Uma das camareiras trabalhava em terreiro e conhecia a trama. Riu, ao encontrar, no quarto, quem seria capaz de invocar alguém de fora. 'Mais um escravo dos espelhos' - Pensou. Colocou-lhe na jaula; Serviu-lhe um pote d'água e ração.

MORAL DA HISTÓRIA


Jamais, invoque outros, fisicamente distantes, em triângulos amorosos. Tampouco, cogite cobiça-los; Muito menos, sem eles. Nem mesmo, seu camelo, seu gato ou seu cão. Há sempre alguém mais esperto que você. Alguns testes custam caro. Leia, antes, os avisos da terra.

Literatura Ficcional

sábado, 24 de dezembro de 2016

Aos caminhos do Mestre


AOS CAMINHOS DO MESTRE 

O Mestre estava no deserto espiritual. Em meio à multidão, sentia-se só. Como se suas esperanças na humanidade, sofressem o aliciamento social ao inferno da cobiça, da ganância e da luxúria humana. 

Ao dobrar a esquina, dirigiu-se até a praça mais próxima. Deitou-se na grama, sob a sombra de uma árvore, e meditou por algumas horas.

Ao ver as pessoas ao longe, notou que cada um trazia um estado de humor, postura, olhar, ritmo e velocidade ao caminhar. 

Durante a reflexão, vieram, até a árvore, três homens. Um funcionário público, um morador de rua e um adolescente pré-vestibulando. 

O primeiro pediu-lhe fogo. O Mestre respondeu que nada fumava. O homem relatou que estava no intervalo do trabalho. Citando o ofício como um inferno. Ao mesmo tempo em que lhe fornecia o sossego do salário fixo. 

Nisto, aproximou-se o morador de rua, catador de latinhas, oferecendo os fósforos ao trabalhador que havia acabado de enrolar um baseado. "A gente está aqui para se ajudar" - Disse o catador.

Ao tacar fogo na marijuana, o funcionário público ofereceu uns pegas ao mendigo, que segurava o baseado, com os dedos sujos, enquanto lambia a seda, para completar a goma. 

Ao mesmo tempo, um jovem adolescente, que cruzava a praça, carregando a mochila da aula nas costas, perguntou: "Tem uns pegas aí?"

Em meio a conversa dos três maconheiros, o Mestre observava tudo há uns quatro, ou cinco, metros. 

O jovem, bem de vida, filho de um juiz e uma médica, reclamava que seus pais eram caretas. Saia às ruas para 'fumar um' com os colegas, evitando críticas, e brigas, em casa.

O funcionário público deixou o jovem, e o mendigo, com o baseado, e foi ao serviço. O mendigo olhava o jovem dos pés à cabeça. Enquanto perguntava se o garoto poderia ajudar-lhe com dois reais para a cachaça. 

O jovem convidou o mendigo para beber e a surpresa aconteceu. O mendigo disse que teria que trabalhar até as dezoito e agradeceu. Porém, avisou: "Estou sempre aqui estas horas". O jovem, parcialmente chapado, continuou a procurar por maconha. 

Seis meses depois, o Mestre encontrou o funcionário público na mesma árvore, fumando um. Perguntou como estava o trabalho. O funcionário disse que havia sido promovido. Ao perguntar sobre o jovem e o mendigo, o trabalhador apontou ao longe e disse: "Lá estão eles".

Haviam se tornado amigos. O mendigo estava lendo um livro de literatura indicada ao vestibular. Enquanto, o jovem catava latas para trocar por droga.

Haviam cruzado o caminho, um do outro, e nem sabiam. O trabalhador, que despachou-os na árvore com uma bagana, promovido, sonhava com o carro novo. 

O mendigo, havia 'contratado' um funcionário. O adolescente, um cão. Formavam uma dupla de reclames (e consolos) sobre a própria existência. 

O Mestre pôs-se em pé, e disse: "Bom, tenho que ir. Te deixo com teu baseado e vou em busca dos desafios que me cabem".

Naquele momento, o Mestre cruzava o caminho do funcionário, que fora despachado com o próprio baseado. Nunca mais se viram. 

Dizem que o Mestre tornou-se funcionário público; Enquanto, o funcionário continuou debaixo da árvore.

Contos de Paz 
Literatura Ficcional

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Visita ao Terreiro III


VISITA AO TERREIRO III 

Veio ao terreiro, conversar com os caboclos, o filho irreconhecível. Estava transfigurado. Sua cara inchada de lágrimas. Quando lhe perguntaram: "O que te traz aqui, grande irmão?"

"Axé" - Respondeu o filho de Deus, ao sentar-se na mesa do café, junto aos caboclos.

"Algo terrível. Meu coração de filho clama" - Completou.

Os caboclos o reconheceram como um grande pai. Extremamente forte; Embora estivesse destruído em seu coração de filho.

"Tenho uma sensação estranha. Como se algumas pessoas de parentesco próximo, tivessem oferecido (em loja imaginária) os pedidos dos anos anteriores, em troca de benefícios próprios. Esta casa (espiritual), que ligam aqui, é minha desde menino. Isto me incomoda. Me revolta. Me faz sentir o contrário da alegria natural" - Respondeu o filho, em voz de pai.

"Vejo justiça em teus olhos" - Respondeu um dos caboclos - "Mas algo me diz que não é isto que sente".

"Estou em guerra" - Respondeu o filho - "Justiça, sinto em quem me entende e me ajuda naquilo que priorizo" - Completou, incorporando o pai do espírito - "Justiça têm, os que me entendem e me ajudam quanto ao que batalho por direito".

Ao investigar o que estava acontecendo, descobriram que, desde que começaram a ligar, a casa (espiritual) do filho, na banda, o povo começou a ser assaltado. A sociedade a ser vingada. As indústrias a serem locadas em outros países. Havia uma ligação de fé muito forte. Uma ligação direta com Deus.

Os caboclos reconheceram no filho, já adulto, um irmão fortalecido pelas experiências da jornada. Ora pai; Ora filho, O irmão apresenta-se de formas distintas.

Em meio a conversa, os eguns e anjos dos familiares, também baixaram no terreiro. Em seguida, as pombas. Por fim, os anciãos do Axé.

"Nunca pedi os pedidos dos outros (secretos ou revelados), em troca dos próprios ganhos. Mas, se é verdade que isto existe, estou reivindicando agora" - Completou o filho, com o pai incorporado, em voz de irmão.

Se tratando dos empreendimentos anteriores, seria um apelo. Contudo, o filho explicitou: "Esqueçam o que aconteceu antes. Para mim, vale daqui pra frente"

"Quanto ao que aconteceu antes, ao investigar, o apelo cabe a vós. Estou em guerra" - Formalizou o filho, ao disponibilizar, por escrito, o pedido formal".

Ao sair do terreiro, outra entidade entrou. O espírito familiar se manifestou em revolta - "Por mim, acabaram as concessões e contratos com os demais. De hoje em diante, meu compromisso é exclusivo com o filho que veio falar-lhes nesta manhã".

Rompeu, também, os contratos com os templos e lojas que deveriam proteger, e auxiliar, o filho, por obrigação ao Grande Oriente. Inclusive, protegendo-o dos próprios familiares. Punindo-os, quando preciso.

"O vejo chorar; O vejo trabalhar; O vejo bater de porta em porta; O vejo produzir; O vejo dizer o que quer; O vejo pedir" - Testemunhou o espírito familiar.

"Seu trabalho vale dez vez o que recebe. Continuando, valerá mais ainda. Falo do trabalho espiritual, além dos trabalhos formais. Falo do trabalho que realiza no céu e na terra" - Explanou, o espírito familiar  - "Basta de sofrer pela alegria dos outros. Este filho, que acabou de sair, multiplica alegria em dias normais. No entanto, mostra-se ao contrário, quando testado, questionado ou cobrado por transgressões passadas".

O Caboclos, recebendo o espírito familiar, junto aos Exús, Eguns, Pombas, Velhos, Velhas e Santos, completaram, em uma só voz: "Terminado aqui, o contrato com tais famílias. Um ancestral indireto já havia pago o que continuam a cobrar dos filhos"

"Nem pedra angular; Nem ovelha desgarrada. Este é o filho que lembra de nós, desde criança, nas orações diárias" - Disse o espírito, ao comparar com os outros filhos (os quais, por décadas, esqueceram de agradecer o alimento antes das refeições).

Após o café, se despediu dos demais - "Me despeço de vocês, até que que isto se esclareça e se resolva" (Espírito Familiar).

*Contos de Paz 
*Psicografias do Imaginário 

pazdornelles.com

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Madrugadas Telepáticas I !!


A CURA - Sobre as madrugadas telepáticas

Joaninha veio ao Ile. Leu os contos da terra. Confessando que, sentia-se estuprada, enquanto dormia. Nas madrugadas, era ligada telepaticamente.

Mestre Babá passou-lhe a receita da cura.

'Quando sentir isto, levante-se, caminhe até a cozinha, ligue as luzes e beba água; Ou vá ao banheiro, ligue as luzes e tome uma ducha. À luz, ore ao anjo da guarda, em pensamento'.

*Contos do Pensamento

JD'

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Do Ilê do Babá .'.


DO ILÊ DO BABÁ

Suzy, sentia o contrário da alegria, em vários momentos do dia. veio ao Ilê, conversar com o Babá.

Em meio à consulta o Babá disse: Você deveria priorizar as pessoas certas, em vez de responder apenas a quem te procura. Vejo, seu sentimento, oriundo da conexões do prazer momentâneo. No restante do tempo, (tempo majoritário), sentes tal sentimento, pois vem aceitando as ligações de quem te procura por conveniência.

Ao fim da consulta, o Preto Velho, baixando no terreiro disse: 'Vossuncê sabe que te ligou alguém que se masturba pensando no ânus. Geralmente, puxa tua alegria, no tempo restante, sempre que aceitas a ligação. Puxa a descarga, meia hora antes de te ligar, para que nada veja. Tua ancestral direta de terceiro grau, pede que se afaste de quem te persegue em ligações '.

Suzy lembrou das ligações diurnas, via telefone. E das ligações telepáticas, no meio da madrugada. Seu método, antes, era ligar, apenas, quem a ligasse. Ser ligada, em vez de fazer a escolha, temporariamente, definitiva, era rifar-se. O estado de espírito se alterava, entre cada ligação.

Sabendo que é isto mesmo, resolveu colocar o telefone no silencioso e avaliar a quem procurar, em vez de aceitar as ligações dos quais a procuram. Tornou-se seletiva, e exigente, em vez de passiva, na escolha. Rendeu-se a ligar, em vez de, apenas, esperar e atender.

Suzy aprendeu a masturbar-se pensando em Ninguém. Preferindo a interação física. Evitando quem a perseguia. Esvaziando o pensamento e buscando o convívio real na presença do que lhe faz sorrir. Os 'fantasmas' sumiram à medida que estreitou as relações à interação singular.

O 'Ninguém' (mediante interação real) era a chave. Bastaria dizer-se 'enrolada', quando recebesse ligações. Isto a valorizaria mais. Firmando a parceria singular, jamais sentiria-se sozinha.

*Contos de Paz
*Literatura ficcional

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Os pescadores e o tsunami .'.


OS PESCADORES E O TSUNAMI

João, sentia vontade de cortar os pulsos, quando lembrava de sua ex que foi morar em uma tribo nudista na Amazônia. 

Pedro reclamava que estava gordo. Quando se olhava no espelho, pedia para nascer de novo. 

Paulo era fumante. Sempre que sua esposa lhe via fumando, lhe dizia: 'Você vai morrer com isto'.

Certo dia, foram pescar. Estavam no meio do oceano, quando começou uma tempestade. 

João estava olhando a foto, de sua ex, no smartphone. Pedro estava escondendo a barriga para uma selfie. Paulo se encontrava fumando um cigarro.

Um raio atingiu a embarcação. João, Pedro e Paulo, foram engolidos por um tsunami.

MORAL DA HISTÓRIA

Entenda as coisas como são; Ame-se como você é; Evite reclamar da vida ou de quem você ama; Quando for aconselhar alguém, aconselhe uma só vez e deixe que se ajude caso queira. 

Deus costuma ouvir as pessoas.

Contos de Paz 
Literatura Ficcional

sábado, 22 de outubro de 2016

Magia das ruas .'.


CONTOS DA MEIA NOITE - MAGIA DAS RUAS 

Seus anseios materiais, foram preservados (à liberdade). Porém, nesta noite, cobrou-se a sua alma (pois convidava os amigos à boca). Após beber em um bar, ao garçom, pediu pó (à escravidão). Sem saber que, no inferno dos eguns, o pó estava levado na pedra (mais forte substância e doloroso desafio); Deixou de ser livre.

'Sente-se' - Disse o garçom.

Repetindo, algumas vezes: 'Mais uma?'

* * * * * 

Ninguém sabia quem era(m) o(s) destinatário(s). Mas, a boca da farinha, o(s) esperava(m). Com gasolina, e o troco no bolso, atendeu-se o chamado do comerciante: 'Venha(m)'.

* * * * * 

Lembro-me desta história que, se repente, além das gerações. Seus antecessores (abstêmios), há décadas de uso na frente, oraram.

(pais e amigos) Já haviam comercializado toda a parentada. Por um teco a mais; Nada mais importava. Nem tio; Nem avô; Nem os vivos; Nem os mortos. Apenas: 'Quem tem a boa?'

O comerciante pediu que convidasse os amigos (álibis, cúmplices ou comparsas): 'Hoje, tenho a boa?' - Nas entrelinhas: 'Com isto, compro cada um'.

Às seis da manhã, sem dormir, viu o sol nascer. O vermelho da aurora, ascender-se. O azul do céu, levantar-se. Então, dormiu.

Assim, vendeu-se, ao pó.

JD'

*Contos de Paz
*Literatura Ficcional

(Baseado em fatos reais. Registros de outros tempos).

Da série "O que fizeram pra nós?"

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Joãozinho e o Terreiro 30 .'.


JOÃOZINHO E O TERREIRO TRINTA
Medidas de cevada e trigo

Um terreiro estava ligado com Joãozinho, toda manhã. Desde que um dos trabalhadores da casa e Joãozinho, se cruzaram em uma encruzilhada para fumar um baseado. O trabalhador se manteve conectado. Estavam conectados pelo ar e pela terra. Conexão audível. O trabalho do caboclo consistia em fazer o mesmo que Joãozinho. Joãzinho ia a padaria e pedia três cervejinhas. 

- O que vai ser hoje Sr João?

- Três cervejinhas. 

Com o tempo, aumentou para quatro e cinco. Sempre que Joãozinho comprava (três, quatro, cinco) pães, o correspondente conectado espiritualmente abria (três, quatro, cinco) latas de cerveja. 

Joãzinho começou a fazer pães. Enquanto, o correspondente, conectado, se tornou borracho.

Quem é o consciente desta história?

Contos de Paz 
*Literatura ficcional

JD'

Isto me lembra aquele cara que oferecia doces às crianças antes de puxar a descarga.